Eleição interna: 6 de setembro

Uma campanha de escuta, cuidado e preparação para a nova etapa do MpD.

Partido-Programa: da crítica à alternativa de governo

O MpD deve voltar a ser uma organização que pensa, propõe e prepara o futuro

A oposição democrática tem o dever de fiscalizar. Mas um partido que quer voltar a governar não pode limitar-se a dizer não. Precisa de dizer como. Precisa de estudar, propor, testar ideias, ouvir especialistas e transformar críticas em alternativas. É isso que a moção de Luís Filipe Tavares chama de partido-programa.

O partido-programa é uma organização que pensa o país de forma permanente. Não espera pelo último ano antes das eleições para escrever propostas. Começa agora. Cria grupos setoriais, mobiliza técnicos, escuta autarcas, consulta universidades, chama a diáspora, conversa com empresários, sindicatos, associações comunitárias e juventude. Depois transforma tudo isso em agenda política.

Cabo Verde enfrenta desafios que não se resolvem com frases gerais. Turismo qualificado, diversificação económica, economia azul, transportes inter-ilhas, água, energia, clima, emprego jovem, informalidade, saúde, educação, justiça, segurança e finanças públicas exigem propostas concretas. O partido-programa organiza essas respostas.

A moção de Luís Filipe Tavares diferencia crescimento de desenvolvimento. Crescimento é importante, mas desenvolvimento é quando a vida concreta melhora. É quando a economia gera trabalho digno, quando a juventude encontra futuro, quando o território deixa de ser limite, quando o Estado responde melhor, quando a diáspora participa, quando as ilhas encontram vocações produtivas e quando o país reduz vulnerabilidades.

Para construir isto, o MpD deve criar equipas de políticas públicas desde já. Cada área deve ter diagnóstico, prioridades, propostas, indicadores e capacidade de comunicação. A bancada parlamentar deve trabalhar articulada com o partido. As autarquias devem alimentar a visão territorial. A diáspora deve trazer experiências comparadas e oportunidades. Os jovens devem participar não apenas como destinatários, mas como criadores de soluções.

Partido-programa também significa disciplina. Nem toda crítica deve virar manchete. Nem toda indignação deve virar posição oficial. Um partido preparado sabe escolher prioridades, falar com clareza e apresentar alternativas consistentes. É assim que se reconstrói confiança.

O MpD que democratizou Cabo Verde venceu porque ofereceu uma ideia de país. Para voltar a vencer, precisa de voltar a oferecer uma ideia de futuro. A moção de Luís Filipe Tavares chama essa ideia de Cabo Verde Desenvolvido. E o partido-programa é o instrumento para transformar essa visão em caminho.

Os militantes que querem um MpD preparado para 2031 devem olhar para esta proposta com atenção. Porque vencer eleições é importante. Mas governar bem depois de vencer é ainda mais importante.

A moção de Luís Filipe Tavares oferece método para que o MpD volte a governar melhor, com ideias, equipas e programa.

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