Eleição interna: 6 de setembro

Uma campanha de escuta, cuidado e preparação para a nova etapa do MpD.

Turismo qualificado, mar e economia produtiva

Cabo Verde precisa transformar setores fortes em desenvolvimento distribuído

O turismo é uma das grandes forças de Cabo Verde. Em 2025, os estabelecimentos hoteleiros receberam mais de 1,2 milhões de hóspedes, segundo dados do INE. Este resultado confirma a capacidade do país de atrair visitantes, gerar receitas e afirmar-se internacionalmente. Mas a pergunta que a moção de Luís Filipe Tavares coloca é mais exigente: como transformar turismo em desenvolvimento distribuído?

Receber mais turistas é importante. Mas Cabo Verde precisa de turismo mais qualificado, com maior ligação à produção local, à cultura, à gastronomia, ao desporto, à saúde, à natureza, ao mar e aos circuitos multi-ilhas. Turismo qualificado é aquele que deixa mais rendimento no país, cria empregos melhores, valoriza comunidades e reduz dependências.

A moção também coloca o mar como plataforma estratégica. Para um país atlântico, o mar não pode ser apenas paisagem. É economia azul, pescas, portos, transporte, segurança marítima, cadeia de frio, investigação oceânica, turismo náutico, energias e posicionamento internacional. Desenvolver Cabo Verde exige olhar para o mar como ativo produtivo e de soberania.

A economia produtiva é o fio que liga tudo. Cabo Verde não pode depender apenas de consumo, importações e serviços de baixo valor acrescentado. Precisa de produtividade, pequenas e médias empresas mais fortes, indústria leve possível, transformação alimentar, serviços digitais, exportação de competências, compras públicas inteligentes e especialização por ilha.

O desafio é fazer com que setores fortes arrastem outros setores. O turismo deve puxar agricultura, pescas, cultura, transportes, tecnologia, formação profissional e economia local. O mar deve puxar investigação, segurança, logística, portos, pescas e serviços. A diáspora deve puxar investimento, conhecimento e mercados. A juventude deve ser formada para estes setores, não apenas convidada a esperar emprego.

Esta visão exige Estado eficaz. Menos burocracia, melhores serviços, regras claras, justiça célere, empresas públicas responsáveis, investimento público bem executado e políticas que ajudem quem produz. Desenvolvimento não nasce apenas de discursos; nasce de instituições que funcionam.

A moção de Luís Filipe Tavares tem mérito porque não trata economia como lista de promessas. Trata economia como sistema: turismo, mar, território, juventude, diáspora, Estado e produtividade. O país desenvolvido é aquele onde estes elementos se ligam.

O MpD que quer voltar a governar deve preparar esta agenda desde já. Na oposição, estudando e propondo. No partido, formando quadros. No país, mostrando que há uma alternativa económica mais produtiva e mais inclusiva. É essa a ambição do projeto Cabo Verde Desenvolvido.

Luís Filipe Tavares apresenta uma visão económica que liga turismo, mar, produção local, juventude e território.

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