A política cabo-verdiana precisa tratar as comunidades emigradas como força estratégica de desenvolvimento
Cabo Verde é maior do que o seu território. A nossa Nação vive nas ilhas e no mundo. Vive em Portugal, França, Holanda, Luxemburgo, Estados Unidos, África e em tantas outras comunidades onde cabo-verdianos trabalham, estudam, empreendem e mantêm ligação afetiva ao país. Por isso, qualquer projeto sério de desenvolvimento deve colocar a diáspora no centro.
A moção de Luís Filipe Tavares afirma que a diáspora não é apenas saudade ou remessa. É conhecimento, investimento, influência, rede profissional, cultura, diplomacia cidadã e parte orgânica da Nação. Esta visão é essencial para um pequeno Estado insular que precisa de escala, parcerias, credibilidade externa e inteligência global.
Durante muito tempo, a política tratou a diáspora principalmente em momentos eleitorais ou consulares. Isso é pouco. A diáspora deve participar na construção do programa, na formação de quadros, na captação de investimento, na mentoria de jovens, na internacionalização de empresas, na promoção cultural e na defesa dos interesses de Cabo Verde no mundo.
A experiência de Luís Filipe Tavares em diplomacia, comunidades e relações internacionais dá credibilidade a esta proposta. Ele conhece a importância das comunidades emigradas, mas também compreende que a ligação à diáspora deve ser organizada, permanente e respeitadora. Não basta visitar; é preciso integrar.
Um partido-rede deve ter canais próprios para a diáspora. Deve ouvir as comunidades, recolher propostas, mapear competências, criar grupos temáticos e permitir participação contínua. Um partido-programa deve transformar contributos da diáspora em políticas públicas. Um partido-escola deve convidar quadros emigrados para formar jovens e dirigentes. Um partido-comunidade deve reconhecer que há Cabo Verde dentro e fora das ilhas.
No projeto Cabo Verde Desenvolvido, a diáspora pode ser ponte para investimento produtivo, turismo de raízes, ensino superior, saúde especializada, tecnologia, economia azul, cultura, diplomacia económica e influência internacional. Pode ajudar Cabo Verde a ser pequeno em território, mas grande em redes.
Esta é uma das diferenças da moção de Luís Filipe Tavares: trata a diáspora como estratégia, não como adereço. O país que quer desenvolver-se deve saber mobilizar todo o seu povo, onde quer que esteja.
O MpD nasceu ligado à liberdade e à democracia. Agora deve liderar uma nova conversa com a diáspora: como colocar Cabo Verde rumo ao desenvolvimento, com todos os cabo-verdianos dentro da mesma missão nacional.
Luís Filipe Tavares compreende a diáspora como parte central da nova missão do MpD: desenvolver Cabo Verde.





