A eleição interna deve preparar o dia seguinte, não prolongar divisões
Uma eleição interna pode fortalecer ou ferir um partido. Depende da forma como é disputada e da visão de quem quer liderar. O MpD atravessa um momento exigente: saiu de uma derrota legislativa, tem uma liderança interina e prepara a escolha do seu próximo presidente. Neste contexto, a unidade não pode ser palavra decorativa. Tem de ser compromisso político.
A moção de Luís Filipe Tavares propõe unir o MpD sem apagar diferenças. Esta formulação é importante. Unir não é fingir que todos pensam igual. Unir é criar uma missão comum suficientemente forte para transformar diferenças em energia de construção. Um partido grande tem sensibilidades, gerações, territórios, experiências e estilos diferentes. A questão é saber se a liderança consegue integrá-los.
Ganhar dividindo é perder autoridade para liderar. Uma candidatura que humilha adversários internos pode vencer votos no curto prazo, mas deixa feridas para o dia seguinte. Uma candidatura que transforma concorrentes em inimigos compromete a capacidade do partido de se reorganizar. Uma candidatura que só fala para o seu grupo dificilmente será presidente de todo o MpD.
Luís Filipe Tavares tem defendido que todos serão necessários depois da votação. Esta frase deve ser levada a sério. Significa que a Convenção não deve produzir vencedores arrogantes e vencidos excluídos. Deve produzir direção, reconciliação programática e trabalho comum. O partido precisa de antigos dirigentes, autarcas, jovens, mulheres, quadros, bases, diáspora e até contributos de quem apoiou outras candidaturas.
A unidade pós-eleição deve começar antes da eleição. Começa no tom da campanha. Começa no respeito pelos concorrentes. Começa na recusa do ressentimento. Começa na capacidade de falar de futuro sem apagar a história. Começa na disposição de integrar competências, não apenas fidelidades.
O momento nacional também exige unidade. Cabo Verde tem novo Governo e novos desafios. O MpD deve fazer oposição séria, reorganizar-se e preparar alternativa para 2031. Nenhuma dessas tarefas será possível se a eleição interna terminar em guerra de grupos.
Unir sem apagar diferenças é talvez uma das maiores provas de liderança. Exige serenidade, maturidade e sentido de Estado. Exige alguém capaz de corrigir sem destruir, renovar sem romper e competir sem humilhar.
A candidatura de Luís Filipe Tavares apresenta-se exatamente nessa lógica. Não é uma candidatura contra alguém. É uma candidatura por uma nova etapa: pelo MpD, pelo desenvolvimento e por Cabo Verde. No dia 6 de setembro, os militantes não escolherão apenas um presidente. Escolherão o tipo de unidade com que o MpD vai enfrentar o futuro.
Votar em Luís Filipe Tavares é escolher uma liderança que disputa com respeito e prepara a unidade do MpD no dia seguinte.





