Eleição interna: 6 de setembro

Uma campanha de escuta, cuidado e preparação para a nova etapa do MpD.

Oposição séria e responsável: firmeza útil contra o ruído

A nova oposição do MpD deve fiscalizar, propor, estudar, dialogar e preparar uma alternativa.

Depois das legislativas de 17 de maio de 2026, Cabo Verde entrou num novo ciclo político. O PAICV venceu e formou Governo. O MpD passou para a oposição. Este facto exige uma mudança de atitude, mas não uma perda de sentido de responsabilidade. A oposição não é sala de espera. É serviço público.

A moção de Luís Filipe Tavares define a oposição que o MpD deve fazer: séria, responsável e útil ao país. Isto não significa oposição fraca. Significa exatamente o contrário. Uma oposição responsável fiscaliza com rigor, propõe com competência, estuda antes de falar, dialoga quando o interesse nacional o exige e prepara-se para governar melhor.

Cabo Verde não precisa de uma oposição de ruído. O país já tem problemas suficientes para que a política se transforme em espetáculo permanente. Oposição séria é aquela que acompanha o orçamento, as empresas públicas, a saúde, a educação, a segurança, os transportes, a justiça, a política externa, os municípios e os compromissos do Governo. Mas não se limita a apontar falhas: apresenta alternativas.

O novo Governo liderado por Francisco Carvalho terá de responder às preocupações imediatas dos cabo-verdianos. O MpD deve acompanhar essa governação com sentido patriótico e exigência democrática. Quando o Governo errar, deve fiscalizar. Quando houver medidas boas para Cabo Verde, deve reconhecer. Quando o interesse nacional pedir diálogo, deve dialogar. E quando for preciso construir uma proposta melhor, deve estudar e apresentar.

Essa é uma diferença importante da moção de Luís Filipe Tavares. A oposição não deve ser apenas reação diária. Deve ser preparação de futuro. A bancada parlamentar, as autarquias, os técnicos, a diáspora, a juventude, as universidades, os sindicatos, os empresários e a sociedade civil devem ser chamados a construir pensamento alternativo. O MpD deve transformar a oposição numa escola de governo.

Ser responsável não é abdicar da combatividade. É dar conteúdo à combatividade. É trocar o grito pela substância, o ataque vazio pela proposta, a indignação momentânea pelo trabalho continuado. A firmeza que Cabo Verde respeita é a firmeza que sabe do que fala.

A moção de Luís Filipe Tavares quer preparar o MpD para esta responsabilidade. Um partido que governou Cabo Verde deve saber estar na oposição com dignidade, maturidade e ambição. O país precisa de fiscalização. Mas precisa também de alternativa. E essa alternativa começa a ser construída agora.

Com Luís Filipe Tavares, o MpD pode ser oposição séria hoje e alternativa governativa madura amanhã.

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